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Documentário LGBT ” Paris is Burning ” completa 30 anos e ganha livro de autor brasileiro

Documentário LGBT

O documentário LGBT de Jennie Livingston  “Paris is Burning”,  lançado em 1990 e vencedor do Teddy Awards do Festival de Berlim no ano seguinte, acaba de completar 30 anos. Para celebrar a data, o documentário LGBT agora é revisto no livro Cinema Queerité, de Ademir Corrêa, que reconta os passos das drag balls nova-iorquinas e discute construção de gêneros e identidades na comunidade LGBTQIA+.

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“Este não é apenas um livro sobre Paris is Burning, o documentário LGBT cinematográfico de Jennie Livingston que mostra balls e concursos em houses de drags, no bairro negro do Harlem, em uma Nova York ainda violentada pelo giro mortal do HIV. Na verdade, este livro − feito de muitas formas de afetos partilhadas entre um pesquisador e quem teve a rara felicidade de participar como orientadora de sua pesquisa de mestrado – é o resultado da dupla vontade de estar fora da rota das mesmices e dos conformismos que, tantas vezes, orientam as escolhas em um percurso acadêmico, e do desejo de quebrar os contratos das violências e dos preconceitos que a cultura hegemônica costuma adotar. E o que este livro celebra e oferece é a potência das pequenas transgressões que, somadas, orientam a busca de ética da beleza estranha, vinculada à estética da resistência, na arte e na vida”, afirma Bernadette Lyra, escritora e professora doutora em cinema.

Cinema Queerité – Gêneros e Identidades no documentário Paris is Burning (Paco Editorial), do jornalista – diretor de conteúdo digital da Perfil Brasil – e mestre em comunicação especial pela Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, Ademir Corrêa, surge de uma dissertação que trouxe à luz a luta pela visibilidade de corpos e gêneros (construídos) e desfilados na boate Imperial Elks Lodge, localizada no Harlem, em Nova York, no final da década de 1980 (hoje convertida em uma igreja messiânica no mesmo bairro).

A noite e a obra revelam bailes drags filmados em que seus participantes – drags e legendary children da comunidade LGBTQIA+ negra e latina – conquistam o direito de ser e de se reinventar em um contexto repressivo norte-americano no qual sua invisibilidade é também sua sentença morte.

Estas vidas em tela – que hoje inspiram séries como Pose e reality shows como RuPaul’s Drag Race – são analisadas pela Teoria Queer – que têm Judith Butler e Paul Preciado entre seus expoentes – e ainda sustentam discussões sobre arte de resistência, liberdades individuais e luta contra preconceito de toda ordem renegociando identidades.

“Uma cena ambientada naquele momento histórico e que hoje renasce nas periferias e cidades brasileiras. Isso acontece no momento em que estes mesmos grupos excluídos voltam a ser ameaçados”, afirma André Fischer, Diretor do Centro Cultural da Diversidade em São Paulo e criador do Festival Mix Brasil, que assina a orelha do livro.

“No começo do filme tem uma frase dita na rua, ao sabor da madrugada, que me chamou muito a atenção. Um dos entrevistados fala: ‘Eu me lembro do meu pai dizendo… Você tem três problemas. Todo negro tem dois: ser negro e ser homem. Mas você é negro, é homem e é gay. Você vai sofrer muito’. Esta cena me arrebatou de tal maneira que não conseguia pensar em nada exceto nestas existências ameaçadas e não celebradas, nestes filhos sem pais que só pediam por respeito e amor”, recorda Corrêa.

A capa da obra foi feita por Luan Zumbi, artista-ativista paulista que discute aceitação e inclusão através de suas obras situadas em um mundo zumbi altamente pop. “Um dos objetivos com o meu trabalho era fazer a capa de um livro um dia”, ele diz. Sua visão reinterpretou o cartaz do filme que traz Octavia St Laurent, uma das protagonistas que só queria ser modelo profissional e encaixar-se em sociedade, casar e ter filhos, desejos que, para ela, pareciam impossíveis.

Cinema Queerité estará disponível na loja nômade Barra Funda Autoral, em São Paulo – com a renda obtida revertida para o CATS – Coletivo de Artistas Transmasculines –, no site da Amazon e pela Editorial Paco.

No mês de fevereiro, o livro será lançado em lives semanais com convidados especiais como Filipe Catto (em um pocket show especial), Fernanda Soares (apresentadora do Tretas TNT e criadora do canal Hollywood Forever TV) e Luan Zumbi.

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Escrito por alexbernardes