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NO SILÊNCIO DAS PALAVRAS ESCONDIDAS

NO SILÊNCIO DAS PALAVRAS ESCONDIDAS
A peça “No silêncio das palavras escondidas” tem um cenário simples e funcional, representando uma estação de trem e, para tal, utiliza bancos e cadeiras. A trilha sonora é composta com base em compositores gays, tais como: Chopin, Cazuza e Renato Russo. Uma novidade na carpintaria da dramaturgia do espetáculo está no fato de que a cada apresentação há um convidado especial diferente, que narra o final da cena entre o equilibrista e a bailarina. O elenco também faz um revezamento de seus personagens, oferecendo múltiplas propostas cênicas de atuação.
Antes de começar o espetáculo, um cantor convidado (diferente a cada semana), apresentará um número musical com canções de temática relacionada à trama.

Sobre a trama
O personagem intitulado como “ALGUÉM”, interpretado por Wesley Vieira, espera o amor todos os dias numa velha estação de trem. O personagem sempre leva consigo uma maleta repleta de livros e se relaciona com oito pessoas diferentes: de um assassino a um mágico; de um travesti a uma cartomante; dentre outras. No silêncio das palavras escondidas ao tratar a homossexualidade do personagem central, traz à tona, de forma poética e lúdica, temas relacionados ao universo LGBT, como: preconceito, a dificuldade de se assumir, a homofobia; além de elementos inertes a qualquer pessoa: o amor, a solidão, a perda.
No início, “Alguém”, espera, em silêncio, pela chegada de outra pessoa. Parece ansioso e ao mesmo tempo decepcionado. Passa a dialogar sobre sua vida e conta sua busca de um amor que nunca viveu. Homossexual, divide com a platéia a dificuldade de quase “ser invisível” aos olhos de alguém que poderia “roubar” seu coração; porém, relata o preconceito de quem acha sua condição algo “pecaminoso” ou ”não natural”.
Num determinando momento do espetáculo, um personagem, o Condutor, entregará um livro para alguém da platéia. A cada espetáculo um autor homossexual será homenageado: Oscar Wilde, Tennessee Williams, Rimbaud, Gabriel Garcia Lorca, Virginia Wolf, André Gide, Caio Fernando Abreu e Thomas Mann.
A parte final representa um sonho do protagonista através de um circo sem público e, numa metáfora lúdica, expõe todas as emoções escondidas no mais íntimo do ser; aquelas coisas “secretas” que tentamos esconder, colocando uma máscara e que normalmente jamais deixamos aflorar.

Texto e direção: Marcos Lopes
Em cartaz aos sábados até 25 de abril às 20h30.
Teatro Studio Heleny Guariba
Praça Roosevelt, 184Consolação – Centro –
(011) 3259-6940
Ingresso: R$ 40.
70 lugares

Festuris 2020

Escrito por anacarolina