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Ouro Preto cria política de turismo LGBT+ e amplia acolhimento aos visitantes

Cidade histórica de Minas Gerais passa a contar com uma política municipal voltada ao turismo LGBT+, com ações de capacitação, combate à discriminação e um selo para estabelecimentos comprometidos com a inclusão.


Ouro Preto cria política de turismo LGBT+ e amplia acolhimento aos visitantes

Conhecida pelas igrejas barrocas, ladeiras de pedra e pela história ligada ao ciclo do ouro, Ouro Preto acaba de acrescentar um novo capítulo à sua trajetória turística. A cidade mineira instituiu a Política Municipal de Turismo LGBTQIAPN+, iniciativa que busca tornar o destino mais seguro e preparado para receber visitantes da comunidade LGBT+.

A medida, chamada “Todo Mundo em Ouro Preto”, foi sancionada pelo prefeito Angelo Oswaldo por meio da Lei Municipal nº 1.656 e cria diretrizes para o setor turístico, além do Selo Arco-Íris, destinado a hotéis, pousadas, restaurantes, bares, atrativos culturais e empresas que adotem práticas inclusivas.

Embora cidades brasileiras já realizem eventos voltados ao público LGBT+, casos de políticas públicas permanentes para o turismo ainda são pouco frequentes. Nesse sentido, Ouro Preto passa a integrar um grupo de municípios que enxergam a diversidade como parte da estratégia de desenvolvimento turístico.

O que muda para quem visita Ouro Preto

Na prática, a nova legislação pretende melhorar a experiência do visitante LGBT+, desde o momento da reserva de um hotel até o atendimento em bares, museus, restaurantes e demais serviços turísticos.

Entre as ações previstas estão programas de capacitação para trabalhadores do setor, campanhas educativas, mecanismos de prevenção à discriminação e incentivo à adoção de protocolos de acolhimento. A proposta também prevê maior visibilidade para os estabelecimentos certificados nos materiais oficiais de divulgação turística da cidade.

Para quem viaja, isso representa um esforço institucional para reduzir situações de constrangimento e oferecer informações mais claras sobre locais comprometidos com o respeito à diversidade.

O que é o Selo Arco-Íris

Uma das novidades é a criação do Selo Arco-Íris.

A certificação poderá ser concedida a empresas do setor turístico que cumprirem critérios definidos pela prefeitura, incluindo treinamento das equipes, respeito ao nome social, protocolos contra discriminação e atendimento qualificado à população LGBT+. O selo terá validade de 24 meses e poderá ser cancelado caso sejam comprovadas práticas de LGBTfobia ou descumprimento das normas.

A regulamentação detalhada deverá ocorrer nos próximos meses, quando serão definidos os critérios técnicos de avaliação.

Um destino que vai além da arquitetura colonial

Reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980, Ouro Preto recebe centenas de milhares de visitantes todos os anos interessados em sua arquitetura, museus, igrejas e manifestações culturais.

Além do centro histórico, o município reúne distritos como Lavras Novas, São Bartolomeu e Santo Antônio do Leite, que atraem turistas interessados em gastronomia, ecoturismo e hospedagens de charme. A cidade também possui intensa vida universitária graças à Universidade Federal de Ouro Preto, responsável por movimentar a cena cultural durante todo o ano.

Nos últimos anos, Ouro Preto também ampliou sua programação de eventos voltados à diversidade, incluindo a Parada do Orgulho LGBT+ e atividades culturais organizadas em parceria com movimentos sociais e o Conselho Municipal dos Direitos da População LGBTQIAP+.

Um movimento que acompanha tendências do turismo

O turismo LGBT+ movimenta bilhões de dólares anualmente em todo o mundo e costuma valorizar destinos onde segurança, respeito e hospitalidade caminham juntos.

Nos últimos anos, cidades brasileiras como São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte passaram a desenvolver políticas voltadas para esse público. Agora, Ouro Preto leva esse debate para um dos principais destinos históricos do país.

A iniciativa também dialoga com uma mudança de comportamento do próprio viajante. Hoje, muitos turistas procuram informações sobre inclusão antes mesmo de reservar hospedagem ou comprar passagens. Ambientes acolhedores deixaram de ser um diferencial e passaram a fazer parte dos critérios de escolha.

Um passo importante para o turismo mineiro

A criação da Política Municipal de Turismo LGBTQIAPN+ não transforma Ouro Preto em um destino exclusivamente voltado ao público LGBT+. O patrimônio histórico, a gastronomia, a arte sacra e a tradição cultural continuam sendo os principais atrativos da cidade.

O que muda é a mensagem transmitida ao visitante: independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero, ele deve ser recebido com respeito.

Em um momento em que a hospitalidade ganha peso na escolha dos destinos, Ouro Preto demonstra que preservar o patrimônio histórico pode caminhar ao lado da construção de um turismo mais inclusivo e preparado para diferentes perfis de viajantes.

Ricardo Hida
Ricardo Hida
Ricardo Hida, PhD, é jornalista, trend setter e aficionado por mitologia, moda e viagens. Pesquisador na PUC-SP em estudos de gênero. Apresentador na 95,7 FM em São Paulo e sócio da Promonde. Autor de coautor de 11 livros. Desde 2003 trabalha com turismo LGBT.

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