Quem vive o Mês do Orgulho em São Paulo sabe que existem eventos que vão muito além da programação oficial. A Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ é um deles. Em 2026, ela retorna ao Vale do Anhangabaú depois de temporadas no Memorial da América Latina e resgata uma conexão histórica entre a comunidade LGBT+ e o centro da capital paulista.
A edição deste ano acontece em 4 de junho e marca os 25 anos da feira organizada pela APOLGBT-SP, dentro da programação da 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. E existe um simbolismo forte nessa volta ao Anhangabaú. Antes de virar cenário de festivais, shows e revitalizações urbanas, o vale já era um dos espaços mais ocupados pela cena LGBT+ paulistana, especialmente nos anos em que o centro concentrava boa parte da vida noturna gay da cidade.
Na prática, a feira funciona como um grande retrato da diversidade LGBT+ paulistana. É o lugar em que drag queens dividem espaço com pequenos empreendedores, coletivos independentes, ONGs, artistas, marcas autorais, performances, gastronomia, ações de saúde e muita gente que aproveita o feriado de Corpus Christi para transformar o centro em uma espécie de carnaval colorido antes da Parada.
O evento nasceu em 2001 inspirado na tradicional Castro Street Fair, de San Francisco, e começou de forma muito menor no Largo do Arouche, com apenas 15 tendas. Hoje, tornou-se uma das atividades mais importantes do calendário do Orgulho em São Paulo, movimentando turismo, hotelaria, bares, restaurantes e toda a economia criativa ligada ao público LGBT+.
E talvez o mais interessante da Feira da Diversidade seja justamente como ela mistura entretenimento e memória afetiva. Para muita gente, o evento virou quase um ritual de abertura do fim de semana da Parada. É onde amigos se reencontram, influencers começam a circular produzidíssimos pelo centro, casais aproveitam o dia ao ar livre e turistas descobrem uma São Paulo muito diferente daquela imagem corporativa associada à cidade.
Ao longo da história, nomes como Silvetty Montilla, Walério Araújo e Alma Smith passaram pelo evento, ajudando a construir a estética irreverente e política que marca a cena LGBT+ paulistana há décadas.
O retorno ao Anhangabaú também acompanha um movimento de revalorização do centro histórico de São Paulo como polo cultural e turístico. Nos últimos anos, a região voltou a receber grandes eventos, festivais e iniciativas ligadas à arte e diversidade. Durante o Mês do Orgulho, isso fica ainda mais evidente. Hotéis operam com ocupação elevada, bares promovem festas especiais e milhares de turistas chegam à cidade para acompanhar a programação da Parada, considerada uma das maiores manifestações LGBT+ do mundo.
Além da feira, a agenda oficial do Orgulho inclui a Corrida do Orgulho e a Parada LGBT+ de São Paulo, marcada para 7 de junho, na Avenida Paulista. O tema deste ano, “A rua convoca, a urna confirma”, reforça o tom político das comemorações de 2026 e o debate sobre participação social e direitos da população LGBT+ em ano eleitoral.
E sejamos sinceros: poucas cidades no mundo conseguem transformar uma semana inteira em uma mistura tão intensa de festa, política, turismo, cultura pop, militância e gente bonita circulando pelas ruas como São Paulo faz em junho.
Serviço
25ª Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+
Data: 4 de junho de 2026
Horário: a partir das 10h
Local: Vale do Anhangabaú, Centro Histórico de São Paulo
Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela Sympla
Acesso pelo Metrô Anhangabaú, ônibus, táxis e aplicativos.


