O turismo LGBT+ brasileiro ganha um novo capítulo de projeção internacional com a participação de empreendedores nacionais no programa global TUI Futureshapers, uma iniciativa da Fundação IGLTA em parceria com a TUI Care Foundation. A proposta conecta inovação, impacto social e desenvolvimento econômico ao fortalecer negócios liderados por pessoas LGBT+ em destinos emergentes, incluindo o Brasil.
O programa foi desenhado para capacitar empreendedores LGBT+ ao redor do mundo, oferecendo mentoria, formação estratégica e acesso a redes internacionais do turismo. A iniciativa não apenas estimula o crescimento de negócios, mas também reforça práticas sustentáveis e inclusivas, alinhadas às novas demandas do viajante contemporâneo.
No Brasil, o projeto ganha contornos ainda mais relevantes ao dialogar com temas como diversidade, memória cultural e inclusão econômica. A participação brasileira evidencia o potencial do país em transformar experiências locais em produtos turísticos de alcance global, especialmente quando ancorados em narrativas autênticas.
Um dos destaques do programa é a valorização de histórias e patrimônios culturais LGBT+ como ativos turísticos. No caso brasileiro, o legado de Madame Satã, figura emblemática da resistência e da cultura popular, surge como inspiração para projetos que unem memória, identidade e desenvolvimento territorial.
Baltazar de Almeida identificou a conexão entre Madame Satã e o território durante pesquisas para um roteiro turístico que integra a startup em fase de lançamento. Ativista dos movimentos negro e LGBT+, ele cursa Turismo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, na modalidade de ensino a distância.
“O resgate da memória sempre me mobilizou, essa possibilidade de revisitar o passado como ferramenta de construção no presente. A partir daí, articulei a figura de Madame Satã, a Ilha Grande e a própria ausência de exumação do corpo como elementos centrais de um argumento que levei ao Iphan”, afirma Baltazar.
Esse trabalho reforça a conexão entre turismo, ancestralidade e pertencimento. Sua contribuição dialoga diretamente com a proposta do programa ao estruturar experiências que valorizam narrativas locais e ampliam a visibilidade de trajetórias historicamente marginalizadas, fortalecendo o empreendedorismo LGBT+ como ferramenta de transformação social.
Essa abordagem reforça uma tendência global: o turismo não é apenas deslocamento, mas também narrativa, pertencimento e reconhecimento. Ao estruturar experiências baseadas em identidades e histórias muitas vezes invisibilizadas, empreendedores brasileiros encontram novas formas de gerar renda, impacto social e visibilidade internacional.
A iniciativa também posiciona o Brasil de forma estratégica no mapa do turismo inclusivo, ampliando oportunidades de negócios e atraindo um público cada vez mais atento a valores como diversidade e responsabilidade social.
Segundo Clovis Casemiro, diretor da IGLTA no Brasil, o impacto do programa vai além da capacitação técnica, “O programa TUI Futureshapers Global foi o catalisador que nos permitiu elevar o turismo LGBT+ brasileiro a um patamar internacional, transformando o legado de Madame Satã em um projeto estratégico de impacto social e econômico. Com o suporte da TUI, da IGLTA e a colaboração com o IBHAM, estamos provando que a preservação da nossa memória ancestral é a chave para um turismo regenerativo e inclusivo, capaz de gerar emancipação e criar espaços de pertencimento real para a nossa comunidade em todo o Brasil.”
Com iniciativas como essa, o empreendedor LGBT+ brasileiro passa a ocupar um lugar central na construção de um turismo mais diverso, sustentável e competitivo. Mais do que uma tendência, trata-se de um movimento estruturante, que conecta cultura, economia e identidade.
Ao investir em capacitação, visibilidade e conexões globais, programas como o TUI Futureshapers apontam para um futuro em que o Brasil não apenas participa, mas lidera a agenda do turismo inclusivo no mundo, com criatividade, autenticidade e impacto real.


