Enquanto São Paulo se prepara para receber milhares de visitantes para a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, um dos maiores eventos culturais da cidade também abre espaço para reflexões sobre diversidade, direitos humanos e representatividade. A quinta edição d’A Feira do Livro, realizada na Praça Charles Miller, no Pacaembu, integra a programação cultural da Semana do Orgulho LGBT+ com debates dedicados à literatura LGBT+, ancestralidade, cultura afro-brasileira, pensamento indígena, democracia e questões sociais contemporâneas.
Com entrada gratuita, o festival acontece até 7 de junho e reúne mais de 100 autores e cerca de 200 atividades espalhadas por palcos, tendas, espaços de autógrafos, podcasts ao vivo e os tradicionais Tablados Literários. A iniciativa se consolidou como um dos principais eventos literários do país e reforça a vocação de São Paulo como polo de diversidade cultural.
A presença de autores e pesquisadores ligados às pautas LGBT+ ocupa lugar de destaque na programação deste ano. Entre os convidados estão o historiador e antropólogo Luiz Mott, uma das figuras mais importantes da luta pelos direitos LGBT+ no Brasil, além do advogado e pesquisador Renan Quinalha, referência nacional em memória, direitos humanos e diversidade.
Também participam nomes da nova geração da literatura brasileira, como Stefano Volp, autor reconhecido por obras que abordam identidade, pertencimento e diversidade, contribuindo para ampliar a representação LGBT+ na literatura contemporânea.
O espaço dedicado à literatura LGBT+ dialoga com uma tradição que vem ganhando força no mercado editorial brasileiro nas últimas décadas. De pioneiros como o escritor João Silvério Trevisan, autor de obras fundamentais para compreender a trajetória da comunidade LGBTQIA+ no país, até novos autores que exploram questões de gênero, afetividade e diversidade, a produção literária brasileira reflete as transformações sociais e culturais da comunidade.
A programação também destaca vozes indígenas, negras e periféricas. Entre os participantes estão o escritor indígena Daniel Munduruku, referência internacional em literatura indígena, e a escritora chilena Daniela Catrileo, que traz ao debate temas relacionados à identidade, memória e resistência dos povos originários.
Questões ligadas à cultura afro-brasileira e à ancestralidade aparecem em encontros com nomes como Nei Lopes, Luiz Antonio Simas e Bianca Santana, ampliando a discussão sobre identidade, racismo, religiosidade e patrimônio cultural.
Para quem visita São Paulo durante a Semana do Orgulho, a Feira do Livro surge como uma alternativa cultural que complementa a agenda de festas, shows e manifestações da Parada LGBT+. A coincidência de datas cria uma oportunidade para turistas e moradores explorarem diferentes expressões da diversidade, conectando literatura, cidadania e cultura.
No dia 7 de junho, data da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, o festival manterá sua programação normalmente. Por conta da realização do evento na Avenida Paulista, o serviço gratuito de transporte oferecido pela organização terá uma alteração excepcional: o embarque e desembarque das vans ocorrerão na estação Oscar Freire, e não na estação Paulista.
Serviço
A Feira do Livro
Data: 30 de maio a 7 de junho de 2026
Local: Praça Charles Miller, Pacaembu, São Paulo
Entrada: Gratuita
Horários
- Finais de semana e feriado: 10h às 20h
- Dias úteis (segunda a quarta): 14h às 21h
Transporte gratuito
- Ida: Estação Paulista → Feira do Livro
- Volta: Feira do Livro → Estação Paulista
- Em 7 de junho, devido à Parada LGBT+, o ponto de embarque e desembarque será transferido para a estação Oscar Freire.
Além dos debates literários, o público encontrará lançamentos de livros, sessões de autógrafos, atividades para crianças e jovens, podcasts ao vivo e encontros com autores brasileiros e internacionais, consolidando a feira como um dos grandes eventos culturais gratuitos de São Paulo em 2026.


