Para quem está de passagem por Paris em 2026 e busca experiências culturais com forte conexão com o universo LGBT+, uma parada obrigatória é a retrospectiva da fotógrafa Nan Goldin, em cartaz no Grand Palais. A exposição “This Will Not End Well” reúne mais de quatro décadas de produção de uma das artistas mais influentes da fotografia contemporânea e uma das vozes mais potentes da memória queer global.
Em cartaz até 21 de junho de 2026, a mostra marca a primeira grande retrospectiva da artista na França e propõe uma experiência imersiva que mistura fotografia, cinema e instalação. Em vez de imagens isoladas, o público percorre ambientes cenográficos com diaporamas e vídeos, criando uma narrativa sensorial e emocional sobre vida, desejo, perda e resistência.
O trabalho de Nan Goldin é indissociável da cultura LGBT+. Desde os anos 1970, a artista documenta de forma íntima e visceral a vida de seus amigos, muitos deles parte da cena gay, lésbica e trans em cidades como Nova York e Berlim. Séries icônicas como The Ballad of Sexual Dependency e The Other Side registram corpos, afetos e vulnerabilidades em um contexto marcado pela liberdade, mas também pela violência, pelas drogas e pela epidemia de HIV/AIDS.
Essa dimensão política e afetiva ganha ainda mais força na exposição em Paris. As imagens funcionam como um arquivo emocional de uma geração profundamente impactada pela crise da AIDS, transformando histórias pessoais em memória coletiva. O resultado é um percurso intenso, onde beleza e dor coexistem, reafirmando a importância da arte como espaço de testemunho e sobrevivência.
Para o público LGBT+, a visita vai além da apreciação estética. Trata-se de um encontro com narrativas que ajudaram a construir visibilidade e identidade ao longo das últimas décadas. Em tempos de disputas simbólicas e retrocessos, revisitar a obra de Goldin é também reafirmar a potência da memória queer como forma de resistência.
Localizado no coração de Paris, próximo aos Champs-Élysées, o Grand Palais é um dos grandes ícones culturais da cidade, o que transforma a visita em um programa completo para quem quer unir turismo, arte e cultura contemporânea.
Para quem estiver na cidade, a dica é direta: inclua essa exposição no roteiro. Mais do que uma visita cultural, é um mergulho profundo em histórias que moldaram o imaginário LGBT+ global e seguem ecoando com urgência no presente.


