Memória LGBT+: Yves Saint Laurent, ícone da alta costura

Memória LGBT+: Yves Saint Laurent, ícone da alta costura

Sem dúvida, um dos nomes mais conceituados da alta-costura do século XX, é Yves Saint Laurent. O design francês nasceu em 1936, em Oran, na Argélia, que até então era território francês. Aos 17 anos, deixou a casa dos pais e foi trabalhar com o estilista Christian Dior, de quem herdou o controle criativo. Após a morte de seu mentor, em 1957, com apenas 21 anos de idade, assumiu o desafio de salvar o negócio da falência.

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Pouca gente sabe, mas logo depois de levantar a marca e atingir o sucesso, Yves foi convocado para o exército francês, durante a Guerra de Independência da Argélia. Após 20 dias, o estresse de ser maltratado e ridicularizado pelos colegas soldados, levaram-no a ser internado num hospital mental francês. Lá, ele foi submetido a tratamento psiquiátrico, incluindo terapia por eletrochoques, devido a um esgotamento nervoso.

Vila Galé – Fortaleza
Pierre Bergé e Yves Saint Laurent, parceiros na vida e nos negócios. Foto: Reprodução/Internet

De volta a vida normal, em 1962, Laurent saiu da Dior e, em conjunto com seu companheiro Pierre Bergé, fundou sua própria marca, a Yves Saint Laurent. O casal se separaria afetivamente em 1976, porém continuariam parceiros de negócios por mais de 30 anos.

Nos anos 1960 e 1970, torna-se uma marca conhecida em todo o mundo por sua praticidade e sofisticação – onde o ponto alto de sua criatividade fica por conta do lançamento do smoking feminino, que permitiria, dali em diante, às mulheres trabalharem de calças compridas. Em 1966, foi o primeiro a popularizar o Prêt-à-Porter, a moda de bom gosto e corte, a preços mais acessíveis que a alta-costura, em sua boutique Rive Gauche, em Paris. Foi, além disso, o primeiro estilista do mundo a usar manequins negras em desfiles de moda.

Símbolo da alta costura por quatro décadas, Yves Saint Laurent era amigo das mais ricas e famosas mulheres do mundo, todas suas clientes, como Diane von Furstenberg, Loulou de La Falaise e Catherine Deneuve. Saint Laurent, com a parceria administrativa de Bergé, apresentou mais de 70 coleções de alta-costura e lançou uma infinidade de produtos vendidos em toda parte do mundo. Saint Laurent morreu em Paris, diagnosticado com câncer cerebral, no dia primeiro de junho de 2008.

O Jardim de Majorelle em Marrakesh, no Marrocos Foto: DIvulgação

Legado em Marrocos

Em 1980, Yves Saint Laurent e seu companheiro, Pierre Bergé, adquiriram uma enorme propriedade em Marraquesh, no Marrocos, com a intenção de preservá-la. A área se tornou a Fundação Jardim Majorelle, subsidiária da Fundação Pierre Bergé-Yves Saint Laurent. O casal não só revitalizou o local, como também transformou o ateliê do antigo proprietário em um museu aberto ao público, rebatizando a antiga casa como Villa Oásis.

São cerca de três mil espécies de flora, espalhados por uma área de quase dez mil metros quadrados. Por 40 anos, pertenceu ao pintor Jacques Majorelle, que tinha verdadeira paixão pelo lugar. Depois de sua morte, em 1962, a ideia era construir ali um complexo hoteleiro.

As cinzas do estilista, morto em 2008, foram espalhadas no roseiral e foi instalado um memorial com uma coluna romana e placa com homenagem póstuma. Em 2010, a princesa Lalla Salma, esposa do rei Maomé VI, inaugurou no local a exposição permanente “Yves Saint Laurent e Marrocos”. Não à toa, o jardim é um dos atrativos mais famosos do país, com cerca de 600 mil visitantes anualmente.

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