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Cinema LGBT+ : “Apenas Coisas Boas” amor em Goiás

Romance ambientado no interior de Goiás aborda amor, envelhecimento e diversidade afetiva em uma das regiões mais conservadoras do país

O cinema brasileiro dedicado às narrativas LGBT+ ganha um novo capítulo no Mês do Orgulho. O longa-metragem “Apenas Coisas Boas”, dirigido pelo cineasta goiano Daniel Nolasco, estreia nos cinemas em 25 de junho trazendo para as telas uma história de amor entre dois homens que atravessa décadas e desafia convenções sociais no interior de Goiás.

Misturando elementos de realismo fantástico, melodrama e suspense, o filme acompanha Antonio, um fazendeiro solitário que vive em uma área rural próxima à cidade de Catalão. Sua rotina muda após o encontro com Marcelo, um motociclista que sofre um acidente e passa a se recuperar em sua propriedade. A convivência entre os dois dá origem a uma relação marcada por desejo, afeto, conflitos e transformações profundas.

A produção chega aos cinemas na semana do Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado em 28 de junho, reforçando a relevância da representatividade no audiovisual brasileiro. Nos últimos anos, o cinema nacional tem ampliado o espaço para narrativas queer fora dos grandes centros urbanos, abordando experiências frequentemente invisibilizadas pela indústria cultural.

Um dos diferenciais de “Apenas Coisas Boas” está justamente no cenário escolhido. Enquanto muitas produções LGBT+ são ambientadas em capitais ou metrópoles, o filme desloca a narrativa para o campo brasileiro, explorando as tensões entre tradição, masculinidade e diversidade sexual.

Segundo Daniel Nolasco, considerado um dos principais nomes do cinema queer contemporâneo no Brasil, a obra busca romper estereótipos associados ao universo sertanejo. O diretor já havia chamado atenção da crítica internacional com o longa Vento Seco, exibido na mostra Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Além da história de amor, o novo filme aborda temas como envelhecimento LGBT+, casamento homoafetivo, homofobia estrutural, violência e os desafios enfrentados por pessoas que vivem relações afetivas dissidentes em contextos conservadores.

Antes da estreia comercial, “Apenas Coisas Boas” passou por diversos festivais nacionais e internacionais. A produção teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara e acumulou reconhecimento em eventos dedicados ao cinema independente e LGBT+.

Entre os destaques estão os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Som e Melhor Direção de Arte no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. O longa também recebeu apoio do Frameline Completion Fund, iniciativa ligada ao tradicional Frameline, considerado um dos mais importantes eventos de cinema queer do mundo.

O ator Lucas Drummond, protagonista da obra, também conquistou prêmios de interpretação em festivais como o For Rainbow, em Fortaleza, e o Reelout Queer Film Festival, no Canadá.

Para leitores da ViaG que buscam produções além do circuito comercial tradicional, “Apenas Coisas Boas” surge como uma das estreias nacionais mais relevantes do Mês do Orgulho de 2026. O filme se soma a uma geração de obras brasileiras que têm ampliado o debate sobre diversidade sexual, identidade e afetos em diferentes regiões do país.

Ao levar uma história LGBT+ para o coração do Brasil rural, o longa reforça que experiências de amor, desejo e pertencimento não se restringem aos grandes centros urbanos, mas fazem parte da realidade de milhares de pessoas em todas as regiões do país.

“Apenas Coisas Boas”

  • Estreia: 25 de junho de 2026
  • Direção: Daniel Nolasco
  • Duração: 104 minutos
  • Classificação indicativa: 18 anos
  • Gênero: drama, romance e suspense
  • Produção: Rensga Filmes e Caprisciana Produções

Ricardo Hida
Ricardo Hida
Ricardo Hida, PhD, é jornalista, trend setter e aficionado por mitologia, moda e viagens. Pesquisador na PUC-SP em estudos de gênero. Apresentador na 95,7 FM em São Paulo e sócio da Promonde. Autor de coautor de 11 livros. Desde 2003 trabalha com turismo LGBT.

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