Fernando de Noronha já é um dos destinos mais desejados do turismo brasileiro. Agora, a ilha também quer ocupar espaço no calendário internacional de experiências LGBT+ com uma proposta que mistura cultura local, fantasia e turismo de experiência. Entre 28 de outubro e 2 de novembro, o festival Love Noronha promove uma edição inspirada no Halloween, mas com um diferencial raro no mercado de viagens: o evento será construído a partir das lendas e do imaginário popular do arquipélago pernambucano.
A ideia marca uma mudança interessante na forma como Fernando de Noronha vem sendo apresentado ao público LGBT+ brasileiro. Em vez de apostar apenas no apelo óbvio das praias paradisíacas e festas sunset, o Love Noronha tenta aproximar entretenimento e identidade cultural. A principal referência desta edição será a lenda da Alamoa, personagem tradicional das histórias da ilha, conhecida por relatos misteriosos envolvendo aparições em noites de lua cheia. A figura atravessou gerações entre pescadores e moradores locais e chegou até à cultura pop brasileira nos anos 1990.
Criado em 2012, o Love Noronha se consolidou como um dos eventos LGBT+ mais conhecidos do Nordeste ao unir turismo, música, gastronomia, sustentabilidade e vida noturna em Fernando de Noronha. A edição de 2026 reforça uma tendência cada vez mais forte no turismo queer global: viajantes buscam destinos que ofereçam não apenas festas, mas também experiências conectadas à memória, à comunidade e ao território. Além da programação temática, o festival prevê ações ambientais, passeios pela ilha, parcerias com pousadas e restaurantes locais e atividades ligadas à preservação do arquipélago.
Para o turismo LGBT+ brasileiro, o movimento também mostra como Fernando de Noronha tenta ampliar sua temporada de eventos para além do verão tradicional. A mudança do festival para outubro, iniciada em 2025, aproxima o destino do calendário internacional de Halloween tourism, fenômeno que cresce em cidades como Nova York, Los Angeles e Cidade do México. Em Noronha, porém, o suspense ganha sotaque local. Entre fantasias, festas e narrativas antigas contadas à beira-mar, a ilha aposta agora em transformar seu folclore em experiência turística contemporânea.


