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Rapper baiano Hiran denuncia homofobia no rap e relata ameaças após lançar álbum no Brasil

O rapper baiano Hiran voltou ao centro do debate cultural no Brasil após o lançamento de seu novo álbum, Imundo, um trabalho que expõe de forma direta a homofobia ainda presente na cena do rap nacional. Pouco depois da divulgação do disco, o artista relatou ter sido alvo de ataques e ameaças homofóbicas, incluindo mensagens de ódio e intimidação nas redes sociais.

Composto por 13 faixas, o projeto marca um retorno mais incisivo de Hiran ao rap, gênero no qual construiu sua identidade artística, mas também enfrentou barreiras ao longo da carreira por ser um homem gay assumido. As músicas abordam experiências pessoais e críticas estruturais ao ambiente do hip hop, trazendo à tona episódios de exclusão, silenciamento e preconceito dentro de um dos segmentos mais influentes da música urbana brasileira.

Segundo o artista, a repercussão negativa foi imediata após o lançamento. Em questão de minutos, seus perfis digitais passaram a concentrar comentários homofóbicos e ameaças, algumas delas de caráter violento. O episódio evidencia a persistência de tensões em torno da diversidade sexual no rap, um espaço historicamente marcado por códigos de masculinidade rígidos e, em muitos casos, pouco abertos à pluralidade de identidades.

Natural da Bahia, Hiran construiu uma trajetória marcada por deslocamentos estéticos e estratégicos. Diante das dificuldades de inserção no circuito tradicional do rap, o artista chegou a explorar sonoridades mais próximas do pop, onde encontrou maior acolhimento. O novo álbum, no entanto, representa uma retomada consciente de suas origens, agora com um posicionamento mais afirmativo e político.

O caso também amplia o debate sobre liberdade de expressão, segurança e representatividade na música brasileira contemporânea. Ao transformar vivências pessoais em narrativa artística, Hiran não apenas denuncia a homofobia, mas reivindica espaço em um território cultural onde vozes LGBT+ ainda são sub-representadas.

Nada mais contraditório que rappers homofóbicos: o rap vem denunciar opressão, desde o seu surgimento.

Mais do que um lançamento, o novo trabalho de Hiran se insere como um manifesto artístico que tensiona estruturas e propõe novos caminhos para o rap nacional e para a discussão sobre o que marginalidade e aceitação na cultura e na estrutura política brasileira.

Foto: Pedro Omna

Ricardo Hida
Ricardo Hida
Ricardo Hida, PhD, é jornalista, trend setter e aficionado por mitologia, moda e viagens. Pesquisador na PUC-SP em estudos de gênero. Apresentador na 95,7 FM em São Paulo e sócio da Promonde. Autor de coautor de 11 livros. Desde 2003 trabalha com turismo LGBT.

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