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Jorge Feitosa traz inspiração para decoração e design na Cidade Matarazzo

Entre cristais franceses raros, porcelanas vintage da Yves Saint Laurent, cerâmicas brasileiras e peças garimpadas em antiquários de quatro continentes, o artista visual LGBT+ Jorge Feitosa apresenta em São Paulo uma exposição que vai além do colecionismo. Em cartaz na Mata Lab, hub dedicado à moda, arte e design na Cidade Matarazzo, o Acervo Jorge Feitosa reúne objetos históricos e obras autorais que podem inspirar arquitetos, designers de interiores e apaixonados por decoração afetiva.

Localizada na região da Avenida Paulista, um dos principais polos culturais da capital paulista, a mostra apresenta peças adquiridas ao longo de mais de 20 anos de viagens pelo Brasil, Europa, Ásia e Estados Unidos. O acervo foi construído por Feitosa ao lado de seu marido, o executivo Fábio Garcia, e reflete uma tendência crescente no universo do design contemporâneo: a valorização de objetos com história, autenticidade e significado.

Mais do que seguir tendências, a exposição propõe um olhar para a chamada “memória da matéria”, conceito desenvolvido pelo artista para explicar como objetos carregam marcas do tempo, narrativas e afetos. A ideia dialoga com o Wabi-Sabi, filosofia japonesa que valoriza a beleza da imperfeição, da passagem dos anos e dos elementos naturais, cada vez mais presente em projetos de arquitetura e decoração ao redor do mundo.

Para quem busca referências de interiores que fujam da estética padronizada das grandes lojas, o acervo oferece um verdadeiro mergulho em estilos, materiais e épocas distintas. Entre os destaques estão cristais franceses produzidos pelas extintas Cristalleries de Nancy nas primeiras décadas do século XX, castiçais belgas da tradicional manufatura Val Saint Lambert, porcelanas vintage assinadas pela maison Yves Saint Laurent e cerâmicas brasileiras produzidas entre as décadas de 1950 e 1970.

A seleção mostra como objetos históricos podem dialogar com ambientes contemporâneos. Uma peça Art Déco, por exemplo, pode dividir espaço com mobiliário minimalista, enquanto cerâmicas brasileiras vintage ajudam a criar ambientes mais acolhedores e conectados à identidade cultural do país.

Outra inspiração presente na exposição é o conceito de consumo circular, tendência que vem ganhando força no design internacional. Em vez de adquirir apenas itens recém-produzidos, colecionadores e decoradores têm buscado peças com procedência, valor histórico e potencial de permanência, reduzindo o descarte e ampliando a longevidade dos objetos.

Muitas das peças expostas carregam trajetórias tão interessantes quanto sua estética. Algumas foram encontradas em antiquários escondidos no interior dos Estados Unidos; outras surgiram em feiras de antiguidades na Europa ou durante viagens pelo Oriente Médio.

Entre as curiosidades está uma cornucópia de cerâmica brasileira dos anos 1960 encontrada em um antiquário norte-americano e posteriormente trazida de volta ao Brasil. Outro destaque é um antigo jogo de gamão adquirido na Turquia que, após pesquisa aprofundada, revelou origem iraniana e técnicas artesanais raras em sua construção.

Além dos objetos históricos, a mostra apresenta pinturas, aquarelas, esculturas e cerâmicas produzidas pelo próprio Jorge Feitosa, incluindo trabalhos exibidos recentemente em Paris durante as celebrações do Ano do Brasil na França.

Para turistas e moradores interessados em arte, design e lifestyle, a Mata Lab surge como uma parada interessante na região da Bela Vista. Inserida no complexo Cidade Matarazzo, que se consolidou como um dos principais polos de criatividade, hospitalidade e cultura da capital paulista, a exposição oferece uma experiência que conecta arte contemporânea, memória, decoração e colecionismo.

Acervo Jorge Feitosa na Mata Lab
Cidade Matarazzo – Bela Vista, São Paulo
Funcionamento: segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos, das 14h às 20h.

Ricardo Hida
Ricardo Hida
Ricardo Hida, PhD, é jornalista, trend setter e aficionado por mitologia, moda e viagens. Pesquisador na PUC-SP em estudos de gênero. Apresentador na 95,7 FM em São Paulo e sócio da Promonde. Autor de coautor de 11 livros. Desde 2003 trabalha com turismo LGBT.

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