Com presença inédita do ministro do Turismo e do presidente da Embratur, quinta edição da LGBT+ Turismo Expo evidencia a maturidade do setor, o crescimento do público 50+ e o potencial econômico do turismo LGBT+ brasileiro.
LGBT+ Turismo Expo consolida mercado e projeta nova fase do turismo LGBT+
Até poucos anos atrás, o turismo LGBT+ brasileiro era tratado por boa parte do mercado como um nicho. A quinta edição da LGBT+ Turismo Expo, realizada em 21 de julho de 2026, no Hotel Unique, em São Paulo, mostrou um cenário diferente: o segmento passou a ocupar espaço na agenda institucional do turismo nacional, reunir centenas de empresas e atrair representantes das principais autoridades do setor.
Com cerca de 1.200 profissionais, 68 expositores nacionais e internacionais, quatro painéis, dezenas de workshops e uma intensa rodada de negócios, a feira consolidou sua posição como a maior plataforma B2B dedicada ao turismo LGBT+ da América Latina. O encontro reuniu operadoras, companhias aéreas, redes hoteleiras, destinos, órgãos públicos e especialistas para discutir tendências, comportamento do consumidor e oportunidades de negócios.
O momento também foi simbólico pela presença simultânea do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, e do presidente da Embratur, Bruno Reis. Foi a primeira vez que as duas principais autoridades do turismo brasileiro participaram de um evento exclusivamente voltado ao mercado LGBT+, sinalizando que o segmento passou a integrar de forma mais consistente as estratégias nacionais de promoção turística.
Mais do que apresentar destinos e produtos, a feira evidenciou uma transformação no perfil do viajante LGBT+ e mostrou que o mercado continua avançando mesmo em um cenário internacional marcado pela redução de investimentos em campanhas de diversidade por parte de algumas grandes empresas.
Turismo LGBT+ deixa de ser nicho e ganha reconhecimento institucional
Durante a abertura da feira, o ministro do Turismo afirmou que inclusão e competitividade caminham juntas.
“Não existe turismo de qualidade onde há preconceito. Precisamos derrubar essa barreira e fazer do Brasil um destino cada vez mais respeitoso, inclusivo e acolhedor, o que pode ser um diferencial para o setor.”
A declaração representa uma mudança importante na relação entre o poder público e o turismo LGBT+. Historicamente, iniciativas voltadas a esse segmento eram conduzidas principalmente pela iniciativa privada, por entidades como a IGLTA (International LGBTQ+ Travel Association) e por operadores especializados.
Agora, a presença oficial do Ministério do Turismo e da Embratur reforça que o mercado deixou de ser tratado apenas como um nicho de hospitalidade e passou a integrar uma estratégia mais ampla de posicionamento internacional do Brasil.
Esse reconhecimento ocorre em um momento em que diversos estudos apontam o potencial econômico do segmento. Embora as metodologias variem entre as pesquisas, estima-se que pessoas LGBT+ representem mais de 12% da população brasileira, formando um dos grupos de consumidores com maior participação em viagens de lazer, gastronomia, entretenimento e experiências culturais.
Para hotéis, companhias aéreas, destinos e operadoras, compreender esse público deixou de ser uma questão exclusivamente relacionada à diversidade. Tornou-se uma decisão de mercado.
O público 50+ revela uma nova transformação do turismo LGBT+
Se houve um tema que sintetizou a maturidade desta edição da feira foi a escolha do público LGBT+ com mais de 50 e 60 anos como eixo central dos debates.
Durante décadas, a comunicação do setor esteve concentrada em consumidores jovens. Entretanto, o aumento da expectativa de vida, a melhoria das condições econômicas de parte dessa população e novas configurações familiares vêm alterando profundamente esse cenário.
O primeiro painel do evento abordou justamente esse fenômeno e foi mediado pelo jornalista Ricardo Hida, editor-chefe da Revista ViaG. Especialistas discutiram como o envelhecimento da população LGBT+ exige adaptações na oferta turística, desde infraestrutura e acessibilidade até comunicação, hospitalidade e desenvolvimento de novos produtos.
O debate também destacou que muitos viajantes acima dos 50 anos possuem maior disponibilidade financeira, flexibilidade de agenda e preferência por experiências ligadas à cultura, gastronomia, bem-estar e viagens internacionais, características que vêm influenciando o planejamento de destinos e empresas.
A discussão acompanha uma tendência observada em diversos mercados internacionais. Em países da Europa e da América do Norte, produtos turísticos voltados ao público maduro já fazem parte das estratégias comerciais de redes hoteleiras, operadoras e destinos. No Brasil, esse movimento ainda está em consolidação, mas a escolha do tema central da LGBT+ Turismo Expo indica que a indústria começa a acompanhar essa mudança demográfica.
O mercado continua crescendo apesar das pressões políticas e culturais
Enquanto parte das grandes empresas internacionais reduziu investimentos em campanhas ligadas à diversidade, especialmente nos Estados Unidos, em razão de mudanças políticas e do enfraquecimento de programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), os indicadores de consumo mostram que o turismo LGBT+ continua em expansão.
A retração de algumas campanhas publicitárias não representa uma diminuição do mercado. Na prática, ela reflete uma mudança na estratégia de comunicação de determinadas marcas. Os consumidores permanecem viajando, escolhendo destinos, hotéis, companhias aéreas e experiências que transmitam segurança, respeito e acolhimento.
No Brasil, estimativas de diferentes pesquisas indicam que pessoas LGBT+ representam cerca de 12% da população, formando um universo de dezenas de milhões de consumidores. Trata-se de um público heterogêneo, com perfis econômicos variados, mas que exerce influência significativa em segmentos como turismo, gastronomia, cultura, entretenimento e hospitalidade.
Outro aspecto relevante é a frequência das viagens. Diversos estudos internacionais apontam que turistas LGBT+ costumam realizar mais viagens de lazer ao longo do ano do que a média da população, além de apresentarem maior interesse por destinos culturais, experiências gastronômicas, eventos e viagens internacionais. Esse comportamento explica por que tantas empresas continuam investindo nesse segmento, independentemente das oscilações do debate político.
Durante a LGBT+ Turismo Expo, essa percepção ficou evidente na presença de redes hoteleiras, destinos brasileiros e internacionais, companhias aéreas, operadoras especializadas e órgãos oficiais de turismo, que apresentaram novos produtos e estratégias para um mercado cada vez mais segmentado.
Mais do que vender pacotes, a indústria busca compreender diferentes perfis de consumidores. Casais sem filhos, famílias homoafetivas, viajantes solo, aposentados, nômades digitais e turistas interessados em cultura ou luxo passaram a integrar planejamentos comerciais específicos.
Essa sofisticação demonstra que o turismo LGBT+ já não pode ser entendido como um único mercado, mas como um conjunto de perfis de consumo com necessidades distintas.
A profissionalização do setor fortalece o turismo brasileiro
Desde sua primeira edição, a LGBT+ Turismo Expo cresceu em número de participantes, empresas e alcance internacional. Em cinco anos, tornou-se uma referência para profissionais do turismo na América Latina, funcionando como espaço para capacitação, networking e geração de negócios.
Nesta edição, além da feira de negócios, a programação reuniu quatro painéis temáticos e duas dezenas de workshops voltados à atualização profissional. Os debates abordaram hospitalidade, comportamento do consumidor, envelhecimento ativo, acessibilidade, bem-estar, inclusão e tendências do mercado turístico.
Esse modelo aproxima o evento dos principais encontros internacionais do setor, nos quais a troca de conhecimento ocupa papel tão importante quanto as negociações comerciais.
Outro aspecto relevante foi a presença de destinos internacionais interessados em ampliar sua participação no mercado brasileiro. Ao lado de estados, municípios e empresas nacionais, esses expositores reforçaram que o Brasil deixou de ser apenas emissor de turistas para também disputar espaço como destino competitivo no cenário global.
A participação do Ministério do Turismo e da Embratur fortalece essa estratégia. Quando políticas públicas dialogam com operadores, redes hoteleiras, companhias aéreas e entidades do setor, cria-se um ambiente mais favorável para ampliar o fluxo de visitantes internacionais e estimular viagens domésticas.
O turismo LGBT+ também influencia outras áreas da economia. Hospedagem, gastronomia, transporte, comércio, eventos, entretenimento, economia criativa e produção cultural são beneficiados pelo aumento da circulação de visitantes. Em um momento em que o turismo busca diversificar mercados e reduzir a sazonalidade, segmentos especializados ganham importância crescente.
A quinta edição da LGBT+ Turismo Expo mostrou justamente isso: o turismo LGBT+ deixou de depender exclusivamente de iniciativas isoladas para integrar uma cadeia econômica organizada, profissionalizada e cada vez mais estratégica.
O futuro aponta para um mercado cada vez mais estratégico
A quinta edição da LGBT+ Turismo Expo marcou um momento de transição para o turismo LGBT+ brasileiro. O evento deixou de ser apenas uma vitrine para destinos e empresas interessadas nesse público e passou a refletir a maturidade de um segmento que ocupa espaço crescente na economia do turismo.
Ao reunir representantes do governo federal, da Embratur, do setor privado, de entidades internacionais e de profissionais especializados, a feira demonstrou que o debate evoluiu. O foco já não está apenas na comunicação direcionada ao público LGBT+, mas na construção de produtos, serviços e políticas capazes de atender consumidores com perfis, idades e expectativas cada vez mais diversos.
A escolha do turismo LGBT+ 50+ como tema central desta edição ilustra essa mudança. O envelhecimento da população, a ampliação da expectativa de vida e o aumento do número de pessoas que continuam viajando após a aposentadoria devem influenciar hotéis, destinos e operadoras ao longo da próxima década. A tendência é que cresça a oferta de roteiros voltados à cultura, gastronomia, bem-estar, natureza, viagens de longa permanência e experiências personalizadas.
Ao mesmo tempo, o mercado enfrenta desafios. Em diferentes países, movimentos conservadores e disputas políticas têm levado algumas empresas a reduzir investimentos em campanhas de diversidade. Ainda assim, os fundamentos econômicos permanecem sólidos. O número de consumidores LGBT+, seu poder de compra e sua participação nas viagens de lazer continuam elevados, tornando esse público estratégico para empresas que desejam ampliar competitividade.
Nesse contexto, o Brasil reúne condições para fortalecer sua posição internacional. O país possui uma das maiores comunidades LGBT+ do mundo, ampla diversidade cultural, patrimônio natural reconhecido globalmente e destinos consolidados para esse público, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis e Fortaleza. O desafio passa a ser ampliar a qualificação da cadeia turística, combater episódios de discriminação e transformar hospitalidade em vantagem competitiva.
A presença inédita do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, e do presidente da Embratur, Bruno Reis, durante a abertura da LGBT+ Turismo Expo pode ser interpretada como um sinal dessa nova fase. Quando o turismo LGBT+ passa a integrar a agenda institucional do país, o segmento deixa de depender apenas da iniciativa privada e ganha maior capacidade de influenciar políticas públicas, investimentos e estratégias de promoção internacional.
Cinco edições após sua criação, a LGBT+ Turismo Expo consolidou-se como o principal encontro de negócios do turismo LGBT+ na América Latina. Mais do que apresentar tendências, o evento evidenciou que inclusão, diversidade e acolhimento deixaram de ser apenas valores sociais para assumir um papel econômico relevante na competitividade dos destinos turísticos.
