Websérie geek brasileira questiona paradigmas com representatividade LGBT+

Websérie geek brasileira questiona paradigmas com representatividade LGBT+

Elfos, Orcs, feiticeiras, uma aura medieval. Mesmo para os menos familiarizados com o universo geek, tais figuras já não podem ser classificadas como desconhecidas do grande público. A subversão destes estereótipos é, contudo, pouco comum. Sendo, aliás, estes tratados ainda como pilares tradicionais dos RPG’s clássicos e replicados nos novos jogos, on-line ou off-line.

“Desaventureiros”, websérie geek brasileira que lança a sua 2ª temporada a partir do dia 16 de maio, via YouTube. Ele surge da necessidade de diálogo entre o mundo fantástico dos Role-Playing Games e a busca por representatividade real e midiática para grupos minoritários.

Com produção da Maré Geek, o grande desafio desta nova etapa da série é, ao mesmo tempo, prosseguir com a grande repercussão de público e de crítica da primeira temporada. O que, aliás, lhe rendeu indicações a cinco prêmios internacionais – e, por outro lado, melhorar técnica e dramaticamente o trabalho iniciado em 2017.

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A série

“Desaventureiros” traz a saga do grupo Companhia do Dragão Bronzeado, aventureiros que estão mais para… desaventureiros! Liderados por Vic Voz do Vento, um jovem bardo humano, a turma de aventureiros de segunda classe é formada pela Elfa Shi, o meio-elfo Fliq, o Anão engajado Touro Vegano e a Clériga Geburath, e financiada por uma influente mercadora, A Mãe, de quem o protagonista é filho.

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O objetivo deles  é provar à mantenedora que eles são dignos da contratação por um grupo de Aventureiros Classe A. Mas este percurso é cheio de desafios. O mais cruel deles, contudo, é a superação de suas próprias limitações: o ego de Vic, o orgulho de Shi, os acessos violentos de Fliq, o idealismo de Touro e a natureza caótica de Geburath.

Marcada por bom humor, a série aborda também discussões ligadas à representatividade. Sophia Tomazelli, uma das sócias da Maré Geek, criadora e atriz da série, explica melhor. “Não é obrigação da fantasia reimaginar o status quo? Ela tem, afinal, mais liberdade do que qualquer outro gênero. E ela sempre nos pareceu poderosa demais para ser subestimada”.

Representatividade

Alguns dos temas abordados neste sentido, e que ganham mais atenção ainda nesta segunda temporada. São, por exemplo, o empoderamento feminino (por meio de vários personagens que assumem o protagonismo de suas próprias vidas de forma sistemática), representatividade LGBTQ+ e poliamor (na primeira temporada com o “trisal” Touro, Shi e Joana – na segunda temos um triângulo amoroso entre Vic e Fliq, com o surgimento do personagem Salaz). Além disso, há representatividade negra. Todos esses aspectos atuando como uma quebra de paradigmas com relação aos estereótipos das figuras tradicionais dos RPG’s.

A segunda temporada

A segunda temporada de “Desaventureiros” traz novidades não só no que diz respeito às novas histórias, mas também um novo aspecto estrutural. Enquanto as primeiras aventuras tinham um caráter de autonomia entre os episódios, numa linha inspirada na série “Brooklyn-Nine-Nine”, de acordo com os próprios produtores os novos episódios fazem parte de uma construção mais “amarrada”, contemplados com um cuidado especial na continuidade.

Isso também promove um aprofundamento nos dilemas dos personagens, que agora passam a lidar com membros de outro grupo: a Companhia do Dragão Dourado de Diamantes Divinos, o mais bem-cotado em todos os rankings de aventureiros, composto por lendários Aventureiros Classe A e liderados por ninguém menos que a irmã mais nova de Vic, que ele não via desde o divórcio dos pais em sua infância.


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