Márcia Rocha fala da sua identidade e quebra estereótipos

Márcia Rocha fala da sua identidade e quebra estereótipos

Márcia Rocha ou Marcos Rocha. Ambos os nomes podem ser utilizados para identificar a residência na portaria do condomínio de luxo onde reside nossa entrevista. Poderosa como profissional e ativista das questões de igualdade de gênero, ela é advogada, empresária, bem sucedida e trans. Faz questão de falar que da sua identidade para quebrar o estereótipo marginalizado da grande maioria das travestis.

Basta alguns minutos de conversa e fica claro perceber por que se tornou referência e ganhou notoriedade. Não só por ter sido a primeira trans a ter direito ao uso do nome social no Cadastro Nacional dos Advogados da OAB concedido no início do ano por unanimidade pelo Conselho Federal, mas também por atuar ativamente no combate a discriminação de uma classe ainda marginalizada no País.

Com o projeto Transempregos criado em 2013, criou oportunidades de empregos formais para trans abrindo portas para vagas de trabalhos em empresas de todos os portes, inclusive multinacionais. Além disso é a única trans brasileira a ter uma cadeira no comitê de proteção dos direitos sexuais na World Association for Sexual Health – WAS. Uma organização mundial sem fins lucrativos como missão disseminar o conhecimento e a proteção dos direitos da sexualidade humana.

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Com uma agenda cheia, divide seu tempo entre trabalho, palestras, convenções, família e leitura, sua grande paixão. Está num relacionamento há três anos com a advogada Ana Carolina, a Carol, com quem divide sua mansão no Tamboré, região nobre da Grande São Paulo. Foram quase quatro horas de bate papo com a ViaG que daria para publicar uma edição inteira.

Como você se define?
Travesti lésbica. Eu achava que era bi, sai com alguns rapazes, mas nunca me apaixonei por homens. Meus relacionamentos sempre foram com mulheres, então, me considero uma travesti lésbica. Fui casada duas vezes, tive uma filha do primeiro casamento. Há três anos fui convidada pelo OAB para fazer uma palestra em Bauru e conheci a Carol que era presidente da comissão de lá. Nos aproximamos e estamos juntas desde então, e estou sendo eu mesma.
Embora eu seja e me sinta mulher desde pequena, a exposição pública é complicada porque estar com uma mulher atrai todo tipo de preconceito, além da transfobia, tem a homofobia, é o “G” e o “T da sigla LGBT. Eu não gosto de rótulos, ninguém se encaixa 100% em nenhum, mas sei que é preciso. Faço questão também de dizer que eu sou travesti por uma questão política, para tirar a imagem do travesti de rua e da prostituição.

Quando decidiu mudar a aparência?
Desde os quatro anos de idade me identifico com o feminino, mas entendi que  tinha que ser menino e, então, comecei a ter uma vida dupla, uma imagem masculina para o mundo e uma expressão feminina quando eu estava sozinha. Pegava roupas da minha mãe e me montava sozinha no quarto. Com 7, 8 anos eu me maquiava escondida. Aos 13 anos comecei a perceber que o corpo das minhas amigas mudavam e eu queria aquilo também. Uma vez conheci uma travesti na rua e perguntei o que tomava. Ela me disse. Fui à farmácia e comecei a tomar por conta própria. Meses depois começaram a nascer os seios. Meu pai percebeu e perguntou o que estava acontecendo. Levou-me ao médico e tive que contar. Eles me convenceram a parar dizendo que eu ia ficar estéril. Parei um tempo com a hormonização, fazia esporadicamente porque queria ter o corpo feminino. Era um desejo muito forte.

Como foi a relação com a família na sua transição? E com a filha?
Aos 39 anos e o avanço da medicina, fiz um depósito no banco de esperma para poder ter filho. Está lá até hoje e assim continuei a hormonização definitiva. Mas antes disso, aos 29 anos, casei e tive uma filha. O relacionamento durou dois anos. Já o segundo matrimônio durou oito anos. Desandou quando fizemos um cruzeiro gay. Uma hora eu estava na varanda da cabine e ela me disse que eu estava muito feminina. Enquanto eu tinha ficado muito feliz, ela demonstrou que não era isso que queria. Foi o princípio do fim do nosso casamento. A minha filha sempre soube de mim. Ela mora comigo, me ajuda nos negócios. Nossa relação é muito tranquila.

Acredita sofre preconceitos ainda hoje?
Eu acho que sofrer preconceito é muito relativo. Já aconteceram situações onde eu fui estereotipada, como uma vez andando no centro um cara veio e me agarrou falando “vamos, vamos…”, e eu: “Vamos onde? Não sou prostituta”.
O mundo é machista, os homens se sentem comedores e poderosos e eu abri mão de ser assim, de ter este “poder”. Abri mão da sociedade e fui para a ralé, o ponto mais baixo da sociedade que é ser travesti. Mas vou onde quero, sei me comportar. Às vezes algumas pessoas olham torto, fico na minha, estufo o  peito, empino a cabeça e não estou nem aí. Tô pagando.

Você se formou em direito, um curso formal. Como o meio acadêmico lidava com sua postura?
Eu fiz faculdade no fim do regime militar. Era impossível conceber uma travesti fazendo direito. Ninguém sabia e nem imaginava quem eu era. Mas tenho amigos do curso até hoje e realizamos encontros da turma. Na época que estudei o ambiente era mais conservador. Hoje eu faço palestras, participo de encontros com juízes, promotores, defensoria pública. Dentro do estado de São Paulo tem uma lei que garante aos LGBT frequentar qualquer ambiente público e quem é do direito sabe, mesmo em delegacia.

Você foi a primeira trans a conquistar o nome social na OAB. Como foi o processo de solicitação?
Fui a primeia Trans a conquistar o nome social na OAB. Já tinha gente antes que tinha mudado o nome na Justiça para alterar o registro, na certidão de nascimento. No meu caso foi só na OAB, e não quero mudar mais nada, é um rolo danado. Teria que mudar a certidão da minha filha. Seriam duas mães, não teria mais o pai. Não vou jogar este preconceito em cima dela. Não tem sentido, todo mundo vai saber que sou travesti. Não é meu caso. Não faria isso para agradar a sociedade.
Com a OAB foi um processo longo que começou quando estava participando de uma palestra no interior e falaram que não tinham achado meu nome nos quadros da OAB, porque estava Marcos Rocha, aí um colega sugeriu para demandar. Nos juntamos para fazer uma petição dentro da OAB e usar o nome social oficialmente. No total foram três anos, entre processo e investigações, até ser aprovado no ano passado diante de vários conselheiros. Em janeiro deste ano recebi a carteira com o nome social. Agora eu tenho os dois na carteira e um documento oficial válido no mundo inteiro.

Você é uma militante gay? Participa de paradas? O que pensa desse movimento?
Aí voltamos nas questões dos rótulos. Se eu me considero lésbica, eu sou gay, no sentido amplo, que inclui lésbicas. Porque hoje muita gente usa o termo gay pra todos os gêneros. Uma sopa de letras….Eu sou eu.
Eu participo de paradas, acho um movimento importante. Estive na primeira para trans. Já coloquei os peitos pra fora- antes mesmo de ter peitos – na primeira vez que fui. Alguns criticam que tem exageros, mas acho que a ideia é chocar mesmo, chamar a atenção. Acho que poderia ter um viés mais político como antes. Tem anos que é mais, às vezes menos. Mas é muito importante estar lá e encontrar todos ativistas envolvidos.  Hoje não tiro os peitos de jeito nenhum, senão perco a OAB. Tem código de ética. Mas, naquela época, não era advogada.

Fotos: Diego Siliprando

Você tem religião? O que pensa sobre a atuação das igrejas hoje nas questões homoafetivas?
Eu fiz pós-graduação em escola salesiana e foram ótimos comigo. O reitor é um padre que dá aula de ética no curso de sexualidade, uma pessoa super consciente e respeitador. A questão depende mais de quem comanda do que da religião. Sou católica batizada, fiz primeira comunhão, crisma, casei na igreja católica a primeira vez, mas nunca fui seguidora, porque muitas doutrinas que pregavam iam contra mim e eu não podia deixar de ser eu.
Sabia que tinha muita coisa hipócrita. Aos 14, 15 anos eu questionava minha mãe com uma série de coisas da vida. Um dia ela me levou para falar com o bispo da igreja Nossa Senhora do Brasil, e ele me perguntou quais eram meus questionamentos. Eu respondi: “Antes de mais nada, um exemplo. A igreja ensina que um cara horroroso que apronta a vida inteira (rouba, mata etc.), quando se arrepende, é absolvido e vai para o céu. Um bebê que acabou de nascer, não foi batizado e morre, vai ficar no limbo para sempre?”. O padre disse: “Isso é dogma da igreja. Se quer ser católico, é assim”. Respondi, então, que eu não queria. Virei as costas e fui embora.
Só lembrando que este dogma mudou. Criança que não é batizada também vai para o céu. Aliás, a igreja tem mudado muito. Então, não dá para seguir religião como regra de vida. Eu estudo, leio muito, amo historia e acredito que a religião é um instrumento de controle e poder. Não só no Brasil. Veja, no Paquistão, deram um tiro na Malala porque ela defendia que tinham que estudar, ou seja, quanto maior a ignorância, mais fácil é o caminho para a religião dominar. Tanto que na Idade Média só a igreja tinha acesso ao conhecimento, só sabiam ler os padres e nobres. Isso é uma forma de controle e poder imenso.
Hoje, com o acesso a informação e sua disseminação, tudo se tornar questionável. Não tenho nada contra religião, acho importante ter fé, ter suas crenças, bons valores independe de religião. Todo mundo sabe o que é certo e errado. Isso vale pra todo mundo. As escolas não tem que ensinar religião porque cada um tem a sua, se o pai quer ensinar religião para os filhos, eles colocam em escolas religiosas, tem opções.

Através do cenário político que temos hoje, qual seu olhar sobre os avanços e os desafios nas questões LGBT, tanto no municipal São Paulo quanto a nível nacional?
Eu me considero uma pessoa de centro- esquerda. Não sou radical em nada, nunca conheci ninguém radical de nem um dos lados que falasse alguma coisa que me convencesse. Mas hoje muita coisa mudou para melhor. Nem se falava em gays e travestis, tivemos grandes avanços, mas tem muita coisa pra se conquistar. Mas o principal não é só em questões legais, mas sim social e cultural. A educação é a base de tudo. Se a sociedade entende,  a lei é consequência e o avanço é gigante.
A proposta daquela cartilha nas escolas ( programa Brasil sem Homofobia do Governo Federal) foi um tiro no pé, mal elaborada.  A questão de discutir gênero e educação sexual nas escolas é fundamental. É uma imbecilidade falar que isso é ideologia de gênero. O que existe são estudos de gênero. Uma índia ficar de peitos de fora, outra usar burca, elas estão erradas? Não, isso é gênero diferente! O que precisamos é discutir o que queremos de papel para mulher e para o homem. Pode bater em mulher? Pode matá-las na Arábia Saudita? Isso é discussão de gênero e não querem que se discuta. Esta história de dizer que querem que meninos virem meninas e vice-versa é uma burrice sem tamanho, não existe.  Eu sou menina, o fato da Trans ser o que é não impede que ela seja mulher. Isso tudo faz parte do estudo, a identificação que se tem com o feminino ou masculino.
Estamos caminhando. A informação está muito rápida e acessível e não tem como fazer a ignorância voltar. Os avanços científicos são muito grandes. Até 10 ou 15 anos atrás ninguém aprovava trabalhos científicos sobre sexualidade. Agora são cada vez mais aceitos com bases científicas que envolvem o direito. Ao contrário de quem se baseia em livro religioso, porque nunca vai entender isso, pois não se apoia na ciência, e sim nas verdades dele ou do livro e usa conforme lhe convém. A bíblia não pode ser usada como um instrumento legal, porque ela vai ser injusta com uma parcela imensa da população. A religião não acompanha a mudança da sociedade, mas a ciência acompanha, tem base. Aí os valores mudam. A educação é o caminho mais rápido e fácil. Se todas as crianças entenderam que trans é um ser humano, daqui a 50 anos elas não morreriam mais espancadas, não precisaríamos de uma lei para protegê-las.

Você criou em 2013 o site TransEmpregos para dar oportunidades aos profissionais trans para o emprego formal. Quantos já foram contratados através do projeto? Como ele funciona?
Éramos quatro pessoas no início do projeto e um dia o João Neri (escritor e primeiro trans homem operado no Brasil) me falou de um rapaz de Minas Gerais que tinha a ideia de fazer um site assim. Então, trouxe ele e mais 12 pessoas do ativismo e criamos o projeto. O site é só uma ferramenta. A ideia era criar um banco de dados, mas depois de um ano tínhamos centenas de currículos e pouquíssimas ofertas de vagas. Mas aí conheci o Reinaldo Bulgarelli e ele me falou do Fórum de Empresas e Direitos LGBT e em um dos encontros estávamos falando das fronteiras para negros, deficientes e LGBT em busca de empregos e eu disse que a última fronteira era o “T”. Por que gays e lésbicas arrumam emprego? E a trans?  Só a partir daí, através do Fórum, as empresas foram abrindo as portas para o transempregos.
Um dia fui ao Carrefour e me falaram que tinham dezenas de trans trabalhando por indicação do site, só assim vou percebendo como está funcionando. Na verdade eu não contabilizo, só me falam. Eu não tenho tempo para me dedicar ao site, mas continuo indicando vagas direto, agora mais pelas redes sociais, mas não cobro um feedback. O site está fora do ar agora porque estamos refazendo um novo.Uma certa vez disponibilizaram uma vaga para advogado. Eu coloquei no meu face e 15 trans mandaram os currículos em um dia.
Eu tenho muitos currículos na área de turismo. A hotelaria é uma ótima oportunidade. Aliás, tenho amigas trans engenheiras e super bem sucedidas. O problema é que o preconceito prejudica demais, as empresas dispensam um material humano, um bom profissional que poderia contribuir, mas que é jogado na marginalidade. Sem contar que são pessoas consumidoras e formadoras de opinião. Uma empresa precisa de todas as pessoas, de todos credos e orientações trabalhando. É uma diversidade saudável.

Quais suas atividades hoje? De onde vem sua renda?
Sou empresária, tenho quatro empresas. Tenho uma de estacionamentos, loteamentos imobiliários, administração de bens, que herdei do meu pai, e uma que eu criei para investimentos imobiliários.
Desde que assumi acabei me envolvendo mais nas questões homoafetivas do direito porque as pessoas começaram a me procurar mais, mas acabo passando os casos mais para Carol que é especialista. Minha área sempre foi mais empresarial e imobiliária.

Você gosta de viajar? Qual o  lugar preferido?
Amo! Já viajei muito mundo afora. Faço pelo menos duas viagens internacionais no ano. No Brasil, adoro Arraial D´Ajuda e Trancoso. Também ia muito a Paraty, tinha um barco lá, e na casa de Campos do Jordão. Já morei em San Francisco, na Califórnia e conheço quase todo os Estados Unidos. Amo Londres. É uma cidade diversa e apaixonante. Adoro a Itália. Conheci ela inteira de carro. Gosto muito de Nova Iorque também, mas se tivesse que escolher um lugar para morar seria San Francisco.  Amei a cultura e a comida do Japão. Para quem for, não deixe de pegar o trem até Osaka. Os templos budistas de lá são lindos.

Um lugar que gostaria de conhecer?
Tenho vontade ainda de conhecer a África do Sul, depois toda a Austrália, porque só fui para Sidney, e também conhecer a Ilha de Páscoa e a Polinésia Francesa. A China eu tenho receio ainda, mas pretendo ir. Eu ainda não fui para Cuba, mas fui convidada para ir quando quiser pela Mariana Castro, filha do Raul, porque ela tem um projeto em Cuba com foco em Trans.

Quando viaja, opta por destinos, hotéis que sejam friendly, que tenham política de atendimento para os LGBTs, ou tanto faz?
Não me preocupo com isso, vou para onde tenho vontade. É claro que tem destinos que sei das políticas, então, nem vou. Fujo de encrencas.Quanto aos hotéis, o máximo que faço  em pousadas pequenas é ligar e informar que sou trans e se tem algum problema. Já teve gente que negou, aí vou para outra. Geralmente vou para hotéis grandes. Só reservo e peço cama de casal. Não há problemas. Acho até legal não procurar hotéis especificamente gay friendly para começar a educar e trabalhar a aceitação. Tá pagando, consumindo, não tem que segregar.
Mas em relação aos lugares, acho que deveria ter um mapeamento dos destinos, onde seja mais seguro para trans e LGBT, porque as pessoas podem entrar numa roubada sem saber, apanhar ou ser presa por não entender as leis do país. Já tirei duas amigas brasileiras da cadeia em Dubai. Foram para balada e o segurança descobriu. Fiz uma enorme mobilização com autoridades aqui e conseguimos libertá-las. Antes de me assumir eu fui para o Egito e Marrocos, porque sabia que depois que assumisse não poderia mais. Fui, conheci e agora sei que não posso voltar mais.Não faço turismo LGBT. Minhas viagens são mais culturais, quero conhecer a história, arquitetura, museus, a gastronomia…Farei um cruzeiro agora que passa pela Rússia, mas não vou descer. Não me sinto à vontade. Vou sentir o clima primeiro, o país é extremamente conservador, o presidente faz lei contra trans, elas nem podem dirigir, por mais que fale que o povo não seja assim, eu não quero.

Fotos: arquivo pessoal

RAPIDINHAS

Signo: Sagitário
Uma comida: Tantas…moqueca baiana, acarajé, feijoada e massa
Pedra no sapato: Politico, uma tragédia.
Perfume: J´Adore
Não falta na sua geladeira: Feijão, como todo dia
Quem levaria para uma ilha deserta: A Carol
Uma lembrança: O dia que minha filha nasceu, a primeira vez que a peguei no colo.
Saudades de… uma tia que foi quase uma mãe, do meu pai e de viver sem ninguém reparar em você.
Ídolo: Não tenho. Mas admiro Freud, Nietzsche, Foucault, pessoas que estudei. Mas viva, o Laerte!
Medo: De não viver, não de morrer. De não experimentar tudo, de ter prazeres e sensações da vida. Você pode morrer com cem anos e não ter vivido.
O que te faz rir: Eu mesma…rs. A Carol também (rs). Umas bebidinhas de vez em quando também me faz rir, mas não sou de beber.
Uma mágoa: O mundo. É muito triste o que se vê. Vou contar uma história.  Eu estava em Singapura no último congresso da WAS, depois fui para Tailândia. Fiquei num hotel que era um sonho, chiquérrimo, com uma vista deslumbrante. E o presidente do comitê que faço parte estava lá também por acaso, um americano. Uma noite, fomos jantar no hotel e lá tem uma vista linda do rio, onde se vê as barcas. Lá é um povo muito simples, sofrido. Durante o jantar, fiquei vendo da janela o pessoal lá embaixo. Aí ele me perguntou como eu pretendia mudar o mundo. Fiquei pensativa vendo os barquinhos passando lá embaixo e , emocionada, respondi: “Não tem como mudar. Isto aqui é um pote de merda. O máximo que posso fazer é limpar um pouco envolta de mim, que é o que eu faço, mas se todo mundo fizesse isso, o mundo seria bem melhor.A maioria das pessoas aqui, por exemplo, trabalham como escravos para ganhar um prato de arroz e peixe. O mundo é assim. Trabalha para comer, é tudo muito injusto, muita desigualdade, muita gente sem saúde e educação. As pessoas são egoístas, e não é só politico, são todos, o pobre o rico, um querendo roubar um pouco que outro tem.  As pessoas matam por religião, diferenças ideológicas, por orientação sexual. Ô raça! Mas fora esta tristeza, tem  outros  momentos que passei de não poder ser eu.

 

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