“É uma ficção não distante da realidade”, diz diretor da peça Proibido Amar

img_1048_606x455

“É uma ficção não distante da realidade”, diz diretor da peça Proibido Amar

Por Mayra Salsa

A peça Proibido Amar, em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo, acompanha a trajetória de três homens colocados em quarentena após contração de vírus que dizimou 33% da população.

Os segregados passariam por uma bateria de exames para saber se estão ou não aptos para viver em sociedade. Ares, Eros e Apolo, três das vítimas, são o retrato de uma realidade não muito distante, uma vez que o preconceito e a repressão são dois dos grandes desafios da ficção que transpõem para a realidade. Segundo o diretor, Rafael Salmona, as cenas são viscerais e o público se torna parte do local. “Proibido Amar visa criar uma perspectiva que fuja de doutrinas, tratando de assuntos como preconceito, repressão, amor, ódio, dilemas familiares e descobertas sexuais”, disse.

Em entrevista para para a ViaG , Rafael disse que a ideia da montagem surgiu na manifestação de 2013 e relacionou o preconceito opressor que havia na descoberta do HIV na época da Ditadura Militar. “É uma ficção não distante da realidade, de um Estado opressor em busca de uma raça “pura”, disse. Emora o título remeta ao romantismo, o espetáculo conduz a uma reflexão.

Leia abaixo:

Revista ViaG – Como se deu o interesse em fazer um espetáculo abordando HIV?

Rafael Salmona – O que primeiramente motivou o argumento do espetáculo foi o evento que parou o país em junho de 2013. Então pesquisei mais sobre o que acontecia na ditadura e comecei a relacionar com o preconceito opressor que havia na descoberta do HIV. E hoje se tornou um preconceito silencioso, e eu senti que precisava falar sobre isso. Mostrar de uma outra forma o que essas pessoas poderiam ter passado se ainda na história não tivéssemos chegado ao Holocausto por exemplo. É uma ficção não distante da realidade, de um Estado opressor em busca de uma raça “pura”.

VG – Como foi feita a preparação dos personagens Ares, Eros e Apolo?

RS – Escrevi as personagens com base na história dos Deuses gregos, cada detalhe e característica presente na construção deles tem muito de reflexo do que esses Deuses representavam. Os atores fizeram um estudo sobre cada um e deixei que eles experimentassem durante os ensaios os direcionamentos que eles poderiam ter dentro da história escrita.

VG – Os números de portadores do vírus HIV são alarmantes no Brasil e no mundo. A peça pode ser uma reflexão para os cuidados que se deve ter para a prevenção?

RS -A peça acima de tudo é um alerta sobre a existência do preconceito.

VG – O que o público pode esperar do espetáculo?

RS – Costumo dizer que não se trata de um romance, apesar do nome sugerir, é uma história com muita coisa a se refletir. Temos drama, ação, medo e até momentos suaves pro público poder respirar. Acredito que o público vá se surpreender da forma mais positiva possível, e até entrar na história dessas personagens.

VG – A peça vai passar por outras cidades? Quais?

RS – Estamos em negociação para levar o projeto além de São Paulo, cidades como Brasília, Belo Horizonte e Salvador estão em nossa lista!

 

Serviço:
Proibido Amar.
Quando: Até 16 de dezembro. Sextas às 23h30.
Local: Teatro Augusta (R. Augusta, 942 – Cerqueira César)
Ingressos: R$50 (inteira) e R$25 (meia). Vende-se pelo http://compreingressos.com/.
Duração: 60 minutos.
Censura: 16 anos